Barraca de Tabacal
Numa certa época, nos anos 80, na praia de Tairú, chegou um hippie, músico, uma figura com um visual excêntrico e exótico, vindo de Salvador, bastante magro, rosto ossudo, o cavanhaque bem comprido, os cabelos crespos para o lado. Lembrava uma mistura de Bozo, o palhaço, com o bruxo Ravengar. O homem era simpático no coração, mas a aparência era diferente. Um ser de aparência meio mística, meio tropicalista. O nome dele, creio que ninguém de Tairú nunca soube, mas era conhecido como Tabacal. Chegou para curtir uns dias e, logo após, alugou a barraca de seu Giró, na praia.
Enfim, Tabacal começou a vender bebidas alcoólicas em geral, “chás naturais” e, às vezes, fazia algum peixe frito com “ervas”.
Tabacal era inteligente, uma conversa boa, tinha muito conhecimento de sabedoria popular, política, música, culinária e muitos casos para contar. Enfim, uma pessoa com quem você podia conversar, e ele tinha assunto para todos os tipos: jovens, adultos, veranistas, moradores locais. Todos gostavam de Tabacal, uma pessoa bastante alegre.
Enfim, um gentleman. Tabacal era um artista, cantor, uma espécie de… Ney Mato Grosso de Vera Cruz. As apresentações dele eram memoráveis. Quando ele fazia o espetáculo, todo o povo que estava nas barracas de camping e o povo da vila desciam para a praia. Adultos, jovens, crianças, veranistas, nativos, todos queriam ver a performance artística de Tabacal. Principalmente quando ele cantava uma das músicas mais famosas, A dança do sapo, que tinha como refrão: “O sapo canta como se fosse gente”.
Infelizmente, ocorreu um roubo na casa de um oficial da Polícia Militar, lá para o lado de Aratuba. E, após perguntas, investigações e indagações, com respostas sem fundamentos e sem provas, creio que ele achou que os ladrões tinham saído da turma de Tabacal. Coisa que todos de Tairú podiam apostar e atestar que Tabacal e sua turma não eram disso; curtiam uma filosofia mais natural: faça amor e não faça guerra.
Enfim, numa madrugada, um grupo de pessoas, com todo tipo de arma, deram muitas rajadas de tiro na casa de Tabacal, e o mesmo saiu entre a vida e a morte de Tairú. Depois disso, Tabacal só veio pegar pequenas coisas, documentos dele que alguém tinha guardado, e retornou para Salvador. Passado uns tempos depois, soubemos que ele havia montado um bar, lá para o lado da Estrada do Coco. Viveu por muito tempo lá, até que Deus o levou.
Mas, até hoje, Tabacal é bem lembrado e, quando lembrado, todos sorriem e lembram daquele mágico, místico, cantor, artista, que alegrou muito e muito uma época dos anos 80, naquela praia maravilhosa de Tairú.
Ass.: Um eterno veranista

