A Casa-Navio

Sempre os anos 80.

Foi uma década maravilhosa.

Em Tairu, chegou um senhor chamado Sr. Luiz. Era de estatura média, inteligente, bonito e muito culto. Nunca soube ao certo se ele era oficial da Marinha Mercante ou da Marinha de Guerra. O que se sabia, com absoluta certeza, é que era uma pessoa extremamente inteligente. Havia morado no Rio de Janeiro, conhecia vários países e possuía uma cultura rara para os padrões da época.

O Sr. Luiz resolveu realizar duas iniciativas que se tornaram marcos diferenciais em Tairu, verdadeiros projetos de vanguarda. Criou um hotel e construiu uma casa na beira da praia em formato de navio.
Isso mesmo: um navio perfeito.
A construção lembrava uma corveta ou uma fragata, com proporções quase reais. Tornou-se rapidamente um ponto turístico fantástico. Todos que chegavam a Tairu queriam conhecer a famosa casa-navio.
Por dentro, o encanto era ainda maior. O interior era magnificamente fiel a uma embarcação. As portas das áreas comuns tinham vigias — aqueles vidros redondos de observação — e havia plaquetas com os nomes de identificação dos cômodos: paiol de limpeza, refeitório, cozinha, camarote, ponte de comando.
A construção contava ainda com bóia de amarração e âncora. A pintura seguia o tradicional cinza da Marinha, com numeração em padrão militar. Para dar ainda mais realismo, o funcionário conhecido como Véio usava um chapéu chamado bibico, como se estivesse sempre em serviço a bordo.

Infelizmente, a casa foi vendida e, algum tempo depois, acabou sendo derrubada. Restaram apenas as lembranças de um tempo e de um Senhor avançado, criativo, ousado e inesquecível.

Ass.: Um Eterno Veranista

Compartilhe esse post:

Related Posts